Jequitinhonha recebe restos mortais do índio Kuêk para exposição

Uma cerimônia na cidade de Jequitinhonha, na Região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, marcou a entrega dos restos mortais de um índio mineiro que morreu há
quase 200 anos na Alemanha. Borum Kuêk foi para a Europa a convite de
um príncipe que queria conhecer a cultura do povo que habitava o
Brasil. Comunidades Machacali, Pankararu e Krenak, tribos que mantêm a
tradição indígena no estado, participaram da celebração. “Nosso
relacionamento com outras culturas é antigo. É por isto que o nosso
povo luta por esta questão do respeito cultural. Não só entre índios,
mas entre toda a humanidade”, disse o indígena Douglas Krenak.

Neste fim de semana, o cônsul adjunto da Alemanha no Brasil, Macos Hass, entregou ao prefeito de Jequitinhonha, Roberto Botelho, uma urna coberta pela bandeira
brasileira com os restos mortais de Borum Kuêk. “Devido às
manifestações dos povos indígenas, a gente viu que o melhor final foi
este porque todos eles aguardavam o retorno ansiosamente, ao longo
destes quase 200 anos”, disse Botelho.

 

A relíquia foi repassada aos indígenas, que vão levá-la para a aldeia Krenak, em Resplendor, no Vale do Rio Doce. A comunidade vai realizar um ritual fúnebre, de acordo com as
tradições. “Eles trocaram experiências sobre a vida, a língua dos
Krenak, sobre o Brasil, sobre as ciências naturais”, disse o cônsul
adjunto da Alemanha no Brasil, Macos Hass.

De acordo com a história contada pelos índios, Borum Kuêk nasceu em 1804. Em 1815, o príncipe Maximiliano chegou ao Rio de Janeiro. Dois anos depois, ele percorreu os estados do
Espírito Santo e Bahia e, em seguida, se instalou em Minas Gerais. O
príncipe conheceu o índio durante uma visita ao Vale do Mucuri e às
terras do Rio Grande do Belmonte, o Rio do Jequitinhonha. Em 1818,
Borum Kuêk e o membro da realeza alemã viajaram para a Alemanha.

Agora, 177 anos após sua morte, uma nova demonstração de sua trajetória incomum. Kuêk voltará à região onde sua tribo viveu e ainda vive: o vale do Jequitinhonha. Por conta das
celebrações dos 200 anos da cidade de Jequitinhonha, a prefeitura
decidiu recorrer ao Museu de Anatomia da Universidade
Friedrich-Wihelms, de Bonn, na Alemanha, que guardava o crânio do índio
para repatriá-lo. Na ocasião, o município organiza o Encontro Indígena
nos dias 13, 14 e 15 de maio, com representantes da região, autoridades
alemãs e índios de diversas tribos, como Aranã, Maxakali, Mucuriñ,
Pankararu, Pataxó e Krenak.

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Este deve ser um espaço de interação e troca de experiências entre os participantes da Rede de Jovens Comunicadores do Semi-árido Mineiro.

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